Youth@IGF

Hoje, me mostraram o evento Youth@IGF, do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Vi, e de cara, resolvi participar, com minha inscrição sendo feita às pressas. Haviam três textos para escrever; um deles, acabei por contar um breve romance meu com a internet onde e que acabou por me marcar um pouquinho.

Edit (31/10): Passei na seleção inicial. Serå que passo nas etapas? 🙂
Edit 2 (26/11): Esqueci de escrever. Passei em todas as etapas, e estarei indo à Genebra para participar no Fórum Mundial de Governança da Internet!

Vou deixá-lo aqui para registrar.

Pergunta: Qual sua motivação e expectativa para participar no Youth@IGF?

Como posso tratar do motivo de participar do Youth@IGF sem descrever um pouco de minha vida? Permita-me contar uma breve história.

Pois bem, simplesmente não me lembro de quando comecei a usar a internet. Eu observava meu pai jogando jogos como Diablo, Tomb Raider e Warcraft II. Lembro que ele tinha algumas “Revistas do CD-ROM”, da Editora Europa, e quando ele saía do computador, eu me via preso àquilo, me entretendo. Um belo dia, quando eu tinha meus seis ou sete anos, simplesmente me mostraram o que era a internet. Tinha o discador da IG, mas o discador e o navegador da America Online parecia funcionar melhor.

Meu primeiro site visitado: Cadê.com.br, mas eu achava o site do Altavista.com mais bonitinho. Meu primeiro e-mail? Não dava pra fazer um com meu nome, mas genialmente meu pai, sendo um arquiteto, me deu o número do CREA dele, e assim surgiu o crea2336@bol.com.br. Posteriormente, aos 10 anos, ganhei meu computador pessoal e, assim como muitos, cresci na internet e tenho inúmeras histórias para contar.

Usei Windows; instalei um Slackware 10.1 que veio de revista e me sentia o máximo (só usava para jogar um joguinho de golfe). Mostrei minha tia o chat da UOL e ela me levou, no dia seguinte, para buscar um desconhecido no aeroporto. Conheci pouco o ICQ, mas segui toda a era de ouro da BRASnet, no IRC (que até hoje uso); vi o início e o declínio do MSN e do AIM. Vi o surgimento da Google – e, consequentemente, de todos os seus serviços (tive um Orkut e um GMail com convites!). Acompanhei, de perto, o surgimento do Youtube, e o bloqueio dele. Vi o HTML5 e sua incrível tag canvas.

Vi o Bitcoin cotado a alguns centavos. Vi a mudança de numeração no kernel no Linux (adeus, 2.6.39.4 – risos), e o surgimento do marco cível. Conheci inúmeras pessoas através de fóruns, principalmente de desenvolvimento de jogos (RPG Maker e outras engines que participava). Legendei animes por dez anos, e fiz amizades que jamais se extinguirão. Tive um bittorrent tracker de animes. Sofri ataques de negação de serviço. Aprendi algo de protocolos e implementei algo que nem sabia que existia (round-robin). Tenho um servidor dedicado rodando desde 2010, em uma época que era quase impossível de conseguir algo assim para minha idade. Já usei Apache, lighttpd e nginx, e configurar o bind com ipv6 me parecia uma rocket science (correção: ainda parece). Tive uma enorme felicidade quando o CGI.br permitiu registrar domínios .com.br sem CNPJ (e quando fiz o SSL em meu website pessoal funcionar).

Fiz uma graduação em geofísica quando deveria ter feito uma em Ciência da Computação (é o medo da decisão aos 17 anos), e imagino que nunca tomei uma decisão tão ruim na minha vida quanto essa. Ao menos, hoje, sou um mestrando em Ciência da Computação bem feliz. Enfim, é tanta história que posso passar dias e dias escrevendo (mas fiquei só sabendo desse programa hoje, último dia, através de uma pessoa!), mas honestamente me vejo como um cidadão digital, e tudo que vivi e vivo até hoje é minha motivação.

Adoro ler sobre tecnologia, principalmente websites como o Ars Technica e o slashdot, que focam em aspectos mais técnicos da coisa. Por fim, entendo a participação no Youth@IGF como sendo uma oportunidade de contribuir para a governança compartilhada da Internet, e exercer mais pressão para que ela seja livre e acessível, sem controle centralizado (Estados Unidos, olho para você) do jeito que tem que ser. É isso.

[Nota do Autor: Depois que reli, percebi que não me adequei bem à pergunta… mas gostei desse texto. Se eu passar, faço mais posts sobre isso.]

Publicado por

Daniel Araújo

Redator-chefe do próprio blog. Escreve bem sobre absolutamente nada, tem opinião sobre absolutamente tudo. Ninguém se importa mesmo assim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *